Conheça a trajetória de Kleber Sampaio “Homem Pepino”      

 

 

       

           Por que as maiorias das pessoas iniciam nos esportes muito jovens, eu estava na contra mão da história. Mesmo com os maus resultados eu continuava persistindo, fui até a prefeitura e consegui um apoio do prefeito que me disponibilizou um automóvel para que eu pudesse participar pela primeira vez de um campeonato paulista, e nessa competição fiquei em penúltimo lugar que foi muito comemorado, as pessoas não entendiam como eu poderia comemorar essa colocação, mas daí eu explicava que essa era o primeiro passo por que até então todas as provas ao qual eu tinha participado, tinha chegado todos em ultimo lugar, sem contar que eu passei a semana toda trabalhando nas plantações de legumes junto com o meu pai, para mim foi um ótimo resultado.

           Depois desse resultado comecei a me dedicar ainda mais, por que eu comecei a perceber que realmente tinha potencial de vencer meus adversários, mas a bicicleta em que eu estava competindo era de um amigo, então meu próximo passo era conseguir comprar uma bicicleta boa, e para isso comecei a trabalhar na CEAGESP de São José dos Campos nas madrugadas descarregando caminhões, e assim fui juntando o dinheiro até comprar a minha bicicleta. E as pessoas foram percebendo que realmente eu queria vencer, e comecei a ter incentivo dos comerciantes locais, a padaria me dava cinco reais, o açougue dez, e com isso fui conseguindo participar dos eventos. E minhas colocações foram melhorando e meu prestigio também. Dessa vez eu queria participar de um campeonato brasileiro, mas o custo que eu teria era bem maior do que eu acostumava ter, foi ai então que eu conheci uma pessoa um grane amigo, que na ocasião tinha um orquidário, e me disse que dinheiro ele não poderia me dar mas as orquídeas ele poderia me disponibilizar, e com isso fui passando de casa em casa e oferecendo as orquídea, e foi um sucesso muitas pessoas estavam se interessando e encomendando as orquídeas, e o restante do dinheiro eu consegui com o pessoal do comércio,e fui para Santa Catarina e conquistei um honroso oitavo lugar, com muito sacrifício.

           Já havia disputado o campeonato regional, estadual e nacional, agora restava participar de um internacional. Era mês de dezembro, e no calendário do próximo ano haveria uma competição na cidade de La Rioja na Argentina, e para isso teria que conseguir dois mil e quinhentos reais em três meses, fui conversar com o meu pai para ver o que ele pensava de tudo isso, e ele foi otimista e me disse,” dinheiro eu não tenho para te dar mas se você quiser fazer uma plantação de pepinos eu te ajudo”. E foi isso que eu fiz, por três meses acordei cedo enfrentei sol e chuva, para poder produzir e vender os pepinos. Na semana que antecedia a viagem, disputei o campeonato brasileiro, vieram me entrevistar e me perguntaram como estavam os patrocínios para a viagem?            Quando eu contei que havia plantado pepino, o repórter se assustou e começou a espalhar a noticia e fui apelidado de “Homem Pepino”.

           E para completar o dinheiro fiz umas rifas e fui vendendo nas escolas e nos comércios, mas havia muitas pessoas que não acreditavam que eu ia conseguir e falavam "imagina um filho de agricultor e diarista, ir pra Argentina", mas eu estava determinado a realizar esse sonho, e faltando poucos dias ainda faltava dinheiro, mas o mais importante eu já tinha que era a passagem. Chegou o dia, enquanto os outros brasileiro levando dois mil, três mil reais, eu estava levando seiscentos e cinqüenta reais. Mas a minha sorte foi que meu Ricardo da Silveira, também foi e graças a Deus ele tem melhores condições me ajudou muito, mesmo assim não foi fácil economizava no almoço para comer na janta, e tudo estava dando certo estava indo muito bem nas competições e com grandes chances de levar o título Pan Americano, mas infelizmente na ultima curva levei um tombo e terminei na terceira colocação, e não agüentei e comecei a chorar, por quase vinte minutos eu só chorava, as pessoas vinham me consolar e diziam que terceiro lugar estava muito bom, mas o que elas não entendiam era que eu não estava chorando pelo resultado, mas sim por ter conseguido com tanto sacrifício a realização de um sonho. Na minha família ninguém nunca andou de avião ou conheceu outro país e eu graças ao bicicross estava realizando tudo aquilo, para minha carreiro esse foi um feito que me marcou e fez com que eu acreditasse que realmente sou capaz de fazer tudo o que eu sonhasse.

           Mas não acabou por aí não, depois da Argentina veio, Canadá, Equador, Chile, Argentina, Chile e o mais recente Austrália. Mas se vocês pensam que depois da Argentina foi fácil, se enganam tive que vender muita rifa, orquídea, minha mãe fez quirera, feijoada para  vender para as pessoas, fizemos também Bingos nas escolas, e mais uma dezenas de ações como essa para conseguir viajar. Na oportunidade em que  fui para o Canadá aconteceu uma situação que me marcou muito. Era época de campanha eleitoral, eu estava buscando recursos juntos aos políticos na época, e já havia conseguido bem mais do que eu precisaria, mas infelizmente só de promessa por que de dinheiro na mão mesmo eu não tinha nada, e chegando o dia da competição e nada de dinheiro, foi aí então que a minha mãe resolveu com atitude e muita coragem ir até o banco e emprestar do banco o dinheiro que eu precisaria para ir pro viajar, lembro que aminha mãe havia acabado de sair do serviço e foi até o banco, mas o gerente era novo e não nos conhecia, e quando perguntou a minha mãe por que ela queria tanto dinheiro assim, ela disse que era pro filho dela viajar para o Canadá, e foi meio estranho ela toda simples de chinelo de dedo e emprestando dinheiro para o filho ir para o Canadá? Foi aí que ele se lembrou de ter ouvido falar de um jovem que iria representar a cidade no Canadá e ele perguntou se era o filho dela, quando ela disse que sim até o gerente ficou comovido a situação e com a simplicidade de minha mãe. Por isso que tudo que eu tenho é graças a minha família. Até hoje quando me lembro desse acontecido me emociono muito. Te amo muito mãe.

              Eu vejo todo esse sacrifício de uma forma muito positiva, sou de uma família simples sim, mas uma família que não me deu dinheiro, mas deu o principal que é o caráter e a dedicação. E sou muito grato aos meus pais por tudo que tenho e a Deus. E meu sonho agora e poder passar todo esse meu conhecimento que adquiri a outros jovens, que em um mundo como o que estamos vivendo Pais estão perdendo seus filhos para o mundo, por que eles não estão tendo mais sonhos são jovens frustrados. E espero contribuir muito para mudar essa realidade. Com fé em Deus.

 

Um pouco da História de Kleber Santos.

 

           Meu nome é Kleber Santos tenho 24 anos e sou praticante de bicicross há sete anos, é um esporte elitizado devido ao seu grande custo com equipamentos e acessórios, mas isso nunca me desanimou, as dificuldades serviram para me dar mais força para superá-los. No inicio as pessoas não acreditavam que essa idéia de correr de bicicleta pudesse dar algum futuro, mas fui provando a eles q mais do que um futuro era meu sonho que estava ali em jogo.

           Comecei a minha carreira disputando os campeonatos regionais em Jacareí, como não tinha dinheiro para ir, eu reunia meus amigos de escola e lotávamos uma van para ir até a competição. E como resultado tinha muitos tombos e ralados.